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CES 2018 - o tigre Chinês mostra as garras

Introdução

A Consumer Eletronic Show (CES), que decorreu esta semana em Las Vegas, é considerada a maior feira de tecnologia do mundo. Num mercado cada vez mais concorrencial e que recebe todos os anos novos investidores, as principais marcas mundiais de tecnologia de consumo esforçaram-se para apresentar os seus produtos mais competitivos.

Detalhes e Implicações

As inovações são o resultado do investimento orientado para desenvolvimento da Realidade Aumentada, da Realidade Virtual, da Inteligência Artificial, da tecnologia do Blockchain, e até em Nano (micro) tecnologia.

Alexa vs Google – Este ano, o Google surpreendeu todos os participantes e visitantes do CES com a omnipresença e a visibilidade da comunicação promocional. Contrastando relativamente aos anos anteriores, destacou o seu assistente virtual e liderou a discussão em torno do mercado da voz. Para demonstrar este empenho, a cidade foi coberta pelas palavras "Olá, Google" e por numerosas soluções inovadoras de publicidade, com exemplos da integração do assistente virtual nos lares, na saúde, nos automóveis e no entretenimento tecnológico, com o propósito de demonstrar que o Google Assistant é o futuro do mercado da voz, e não o Alexa. Relativamente ao Amazon, as integrações de Alexa também estiveram em destaque, mas de forma menos óbvia. Podemos concluir que está em curso uma batalha pelo controle das nossas casas, dos automoveis e da vida privada, através da tecnologia da voz.

China – A China impressionou todos os participantes com o seu dinamismo empresarial. Concretamente, quase um terço dos expositores na CES eram chineses (1.300 das 4.500 empresas) e 500 empresas tinham a palavra "Shenzhen" no seu nome (isto é, um décimo de todos os expositores). Para além de nomes já conhecidos como Baidu, Huawei e Alibaba, surgiram novos empreendedores, como o fabricante de automóveis elétricos Byton. Verificou-se que estas empresas não somente acompanham as últimas tendências do setor da tecnologia, como também são pioneiros em muitas áreas. Este ano, e pela primeira vez, a supremacia dos EUA foi contestada em muitos setores, sendo ultrapassada pelo protagonismo da China, que transformou o CES numa feira de exportação de produtos chineses.

Chegou o fim do telefone? – Alguns dos produtos em exibição vão seguramente mudar a forma como comunicamos entre nós e com o meio ambiente, assim como a nossa jornada enquanto consumidores. Por exemplo, podemos destacar a marca de auriculares coreanos da empresa Coreana Naver, que conseguem traduzir automaticamente vários idiomas como o Inglês, o Coreano, o Mandarin, o Japonês, o Francês, o Vietnamita, etc. Com um software de inteligência artificial, foi adicionado o controlo por voz e a possibilidade de efetuar telefonemas, transformando-os num produto multifuncional. Se for utilizado com smart glasses (óculos multimedia), ativados pelo Alexa ou o Google Assistant ou com écrans portáteis (HUDs, Heads Up Displays), ou ainda com smart watches, já não será necessário ter um smartphone na mão, o que poderá ser a maior revolução desde o lançamento dos telefones portáteis em 1973. Assistimos á criação de um ecossistema tecnológico que poderemos vestir como uma segunda pele, que estará sempre ligada à rede e em comunicação com as marcas.

Sumário

Apesar do sucesso e do crescimento desta feira de tecnologia, com 180,000 visitantes e a presença de 150 países, este pode não ser o local onde se encontram todas as inovações e todos os pioneiros, mas revela as tendências do mercado tecnológico orientado para o consumidor e as oportunidades que existem para os empreendedores. Neste supermercado e ecossistema de tecnologia, devemos estar principalmente atentos ao mercado da voz e ao poder de investimento e de inovação por parte da China.

Imagem: TechCrunch CES Coverage