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Os desafios da economia de partilha e da sustentabilidade

O que é a economia de partilha?

A economia de partilha, ou economia partilhada, abrange vários significados, sendo frequentemente usados para descrever as atividades humanas com ênfase no uso e não na posse, e relacionadas com a produção de bens de uso comum. É baseada em formas de organização do trabalho mais horizontais, na partilha de bens, de espaços e de instrumentos, e na organização dos cidadãos em redes ou comunidades, as quais são habitualmente intermediadas por plataformas na Internet e Apps mobile. Este tipo de economia é totalmente oposto aos valores da sociedade de consumo do século XX, e que esteve orientada para a aquisição e acumulação de bens duradouros. A ideia está ligada ao movimento minimalista, que desvaloriza a posse de bens, exceto os essenciais, em detrimento da importância dada à experiência proporcionada pelo seu usufruto e partilha. Pode também ser visto como uma resposta á alteração da relação entre as empresas e os seus colaboradores, entre as marcas e os consumidores, e entre os indivíduos e o meio ambiente, por exemplo.

O impacto sobre o negócio das marcas

Ao fortalecer a reciprocidade, a economia de partilha poderá subverter alguns modelos de negócio tradicionais, porque cada um é produtor e recetor de bens, de experiências e de serviços. Deste modo, todos os participantes são igualmente privilegiados e as transações entre os participantes não têm fins lucrativos. Considerando o exemplo do “Carsharing”, que consiste no aluguer de um veículo individual, por curtos períodos de tempo e que tem como objetivo reduzir o impacto ambiental dos automóveis nas cidades, um consumidor pode ter a oportunidade de experimentar uma viatura e ao mesmo tempo, encontrar uma solução económica e personalizada para responder a uma necessidade específica, sem visitar o concessionário da marca nem realizar um Test-Drive. Por outro lado, o “Car Pooling”, que consiste em partilhar um veículo próprio e as despesas numa viagem entre vários passageiros, ameaça as empresas que criaram uma disrupção no sector dos transportes de pessoas (Uber).

As opções de mobilidade alternativa em Portugal

Em Portugal, já existem várias empresas nacionais e internacionais com uma base alargada de grupos de utilizadores, muito ativos nas redes sociais, e que utilizam principalmente aplicações mobile. Existem duas categorias distintas.

O Car-Sharing (Uso repartido), que não devemos confundir com o “Pooling” porque o utilizador não é proprietário da viatura, a qual é partilhada por vários utilizadores. Como podemos constatar pelo investimento nas viaturas e pela visibilidade das campanhas de vários fabricantes de automóveis em Portugal, já não é um nicho, mas pelo contrário uma nova tendência na industria automóvel. 

https://www.citydrive.pt

https://www.drive-now.com/pt/pt/lisbon

https://www.bookingdrive.com

https://www.caramigo.eu/pt

https://www.247city.pt

https://www.sadorent.pt/pt/car-sharing

http://www.aldautomotive.pt/servicos/novas-solucoes-de-mobilidade/ald-sharing

A partilha de meios alternativos de locomoção não está limitada às viaturas. Atualmente, incluem as bicicletas e as scooters. Estas iniciativas revitalizaram empresas como a portuguesa “Orbita”, que disponibilizou 1.410 bicicletas, das quais 970 são assistidas eletricamente. Só em Lisboa existiam em maio de 2017, mais de 12 locais de Bike-sharing, dando um contributo para o setor do turismo urbano. As Scooters da Cooltra incluem tecnologia desenvolvida em Portugal.

https://www.gira-bicicletasdelisboa.pt/

https://www.ecooltra.com/en/

O Car-Pooling (Boleias), que não devemos confundir com o “Sharing” porque o utilizador é proprietário da viatura, a qual não é partilhada por vários utilizadores. Alguém dá boleia aos outros, em vez de cada um levar o seu carro.

https://boleias.viaverde.pt/BoleiasWeb

http://www.deboleia.com

https://www.boleia.net

https://www.blablacar.pt

http://www.carpoolworld.com

http://www.galpshare.pt

https://www.waze.com/carpool

Existem múltiplas vantagens para os utilizadores, em termos económicos e sociais, e para as empresas, que deste modo podem agilizar a assiduidade dos seus colaboradores. Por exemplo, os colaboradores da Mindshare poderão organizar-se em grupos informais para aceder às novas instalações em Lisboa. Seria o Mind-Pooling, integrando desta forma o conceito de Team, Speed & Provocation! 

Quem usa estas soluções em Portugal?

Segundo Nuno Cepêda, responsável pelo marketing na empresa City Drive, o perfil etário "mais típico" dos clientes situa-se entre os 25 e os 40 anos, mas também há "clientes mais jovens sem poder de aquisição de uma viatura", notando ainda que a "tipificação" é sobretudo pelas "necessidades". Os utilizadores que não possuem carro ultrapassam ligeiramente — em 4% — os clientes que têm veículo próprio.

A Reforma da Fiscalidade Verde e o Orçamento de Estado para 2018 premeiam com incentivos fiscais as empresas que tornam mais sustentáveis as deslocações casa – trabalho. Nesse sentido, a empresa Boleia.net criou o serviço Empresas à Boleia, uma solução segura e low-cost, destinada a empresas, câmaras municipais, organizações e hospitais.

https://empresas.boleia.net/

Qual é o futuro da economia de partilha?

De acordo com a Brisa, mais de 40 milhões de pessoas na União Europeia utilizam este tipo de plataformas. A Statista revela que 54% dos consumidores consideram disponibilizar a sua viatura e 44% aceitaria viajar à boleia. Em Portugal e de acordo com um estudo da Cetelem, 43% dos conumidores estão interessados em partilhar o carro para dividir despesas, ficando este valor acima da média de oito países avaliados, de 33%. Meste contexto, a empresa Car-Sharing City Drive terá cerca de 10.000 utilizadores, embora nem todos sejam utilizadores diários. A Brisa pretende alcançar 10.000 clientes até ao final de 2017, mas espera ter alcançado os 25.000 ao fim de um ano de operação. O fenómeno da economia colaborativa está em constante expansão. As pessoas começaram por partilhar as suas casas (Airbnb), o seu carro (Via Verde), a sua comida, o seu tempo e os seus bens físicos, e está a espalhar-se para as áreas da saúde, das start-ups, da logística e para dentro das empresas já estabelecidas. As áreas dos Serviços Públicos, da Gestão de Municípios e da Educação começam a despertar para esta realidade.. Como podem as marcas responder a este desafio?

Winners & Loosers

Os Winers são as empresas que se conseguem adaptar através da conquista de novos territórios e da criação de novos modelos de negócio 

- As novas empresas de Sharing e as plataformas de Pooling, assim como de software e Apps para a gestão de frotas.

- As empresas organizadoras de eventos (Lazer, Feiras empresariais, Desporto)

- As empresas tradicionais de Rent-a-Car, que estão a criar alternativas low-cost ou modais e que também dsponibilizam bicicletas eletricas.

- Os fabricantes de automóveis que dispõem de um novo território para o Branding e posicionamento #friendly, criando uma alternativa aos Test-Drives e á vendas de frotas de viaturas:

- Por exemplo, em Portugal, a Renault, ao lançar o primeiro Car Sharing gratuito “Share The Future”, pretende que os potenciais clientes experimentem os seus carros elétricos. Por outro lado, estimula a criação de grupos que partilhem a mesma viatura, os quais se tornam em embaixadores da marca. As empresas Petrolíferas como a Galp Share, pretendem reforçar o seu posicionamento #friendly através da disponibilização de uma solução de Car-Pooling.

Os Loosers encontram-se nos setores mais tradicionais com forte impacto no meio ambiente e assentes em modelos de monopólio ou de concorrência assente no preço. 

- Os Rent-a-Car tradicionais, que perdem para o modelo de Pooling.

- Os fabricantes de automóveis. Por exemplo, de acordo com a Drive Now, 39,8% dos clientes em Munique, na Alemanha, decidiram não comprar um veículo próprio graças à existência de carros partilhados.  Em 2017, o mercado de Car-Sharing alemão reúne 1.715.000 clientes — 73% dos quais usam o serviço da Drive Now.

- As empresas de transportes tradicionais de pessoas como os Taxis, a Rodoviária, a CP, mas também a Uber e a Cabify

Estamos a ser conduzidos em direção ao futuro sustentável

Em Portugal e em 2017, o Car-Sharing da Drive Now tem 211 carros BMW e MINI disponíveis. Os clientes podem conduzir e experimentar um dos últimos modelos. Todos os veículos estão disponíveis 24h por dia sem necessidade de reserva antecipada, o que representa uma outra forma de realizar um Test Drive. As previsões sugerem que a dinâmica deste modelo apresentará grandes desafios para a gestão da comunicação das marcas e na sua relação com os potencias compradores de veículos destes fabricantes. Na Mindshare, com a nossa competência e experiência, temos a oportunidade para ajudar os nossos clientes a gerir a velocidade desta mudança.

Quais são os riscos para utilizadores e empresas?

No caso do Car-Pooling, existem riscos para quem concede a boleia e para quem a utiliza.

- A fiabilidade do acordo – os condutores podem não comparecer conforme combinado.

- A segurança – os condutores e passageiros habitualmente não se conhecem e os ratings dos utilizadores são pouco fiáveis.

- Os seguros Auto – As apólices contemplam todas as situações em que o condutor transporta passageiros?

- Fiscalização – quais são as entidades com competência para legislar e fiscalizar as viaturas e os condutores?

Relativamente ao Car-sharing, o risco poderá afetar as empresas que disponibilizam este serviço e as seguradoras auto

- A manutenção das viaturas e dos locais de abastecimento das viaturas com novos tipos de propulsão

- A entrada em Portugal de empresas internacionais com parcerias transversais a vários setores (viagens, hotelaria)  

Qual é a sustentabilidade de um modelo de economia partilhada no sector automóvel?

- Alugar ou usar em vez de comprar, eis a questão – estarão os fabricantes de automóveis preparados para priorizar as soluções de aluguer de longa duração, a manutenção das viaturas e as parcerias com outros setores, tais como o turismo (férias) e a tecnologia (conectividade), por exemplo? A importância dada pelos consumidores à experiência proporcionada pelo usufruto e partilha de automóveis, condicionará cada vez mais a escolha da marca, no momento da escolha da opção de Car-Sharing e da eventual compra de uma viatura pessoal. Nesse sentido, a construção e reforço da Equity das marcas continuará a ser uma prioridade.