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Amazon cresce no segmento de saúde e bem-estar

Amazon acelera o crescimento e entra no segmento de saúde e bem-estar

Nos EUA, o Amazon comprou a rede de supermercados biológicos Whole Foods Market, que tem 406 lojas físicas naquele país, no Canada e na Inglaterra. Com uma oferta abrangente em termos de preço, e que inclui o Whole Foods Market (premium) e o 365 by Whole Foods (lowcost), esta empresa tem clientes em todos os estratos sociais, e um alcance potenciado pelo crescimento do e-commerce.

Uma filosofia orientada pela ideia da inovação constante

Naquele país, o Amazon, gere 50% do e-commerce de retail, e irá aumentar a sua quota de mercado dos frescos, que atualmente está em 1,4%. A estratégia do Amazon consiste em conquistar os aderentes ao comércio em lojas física (bricks & mortars), e especialmente os consumidores mais jovens. Na América, a empresa alargou a cobertura das entregas em uma hora (1-Hour-delivery), lançou o Prime Now (entregas em uma hora de compras no comércio local), e o Amazon Fresh e Pantry, que como o seu nome indica, permite comprar online alimentos frescos e pastelaria. Surpreendeu o mercado com a inauguração de oito livrarias, e é provável que a estratégia inclua a internacionalização destas lojas. Fiel ao seu espírito inovador, implementou o AmazonGo, um serviço de loja onde as compras são pagas recorrendo à tecnologia sem contacto, chamada “contactless” (ideal para fazer compras com crianças pequenas…). 
Shop+, a unidade da Mindshare especializada no retail (incluindo o e-commerce) acredita que esta revolução não irá alterar, nos próximos anos, o mercado na Europa. Mas, nessa altura, as marcas de FMCG vão ter novos desafios e oportunidades. Por um lado, poderão construir um modelo de atribuição sustentado pela jornada offline, online e multiplataforma. Por outro lado, se as marcas do Whole Foods Market se tornarem a referência no Amazon, poderão ter um preço e um serviço de entrega muito mais competitivo. Com a aquisição de uma rede tão vasta, associada a uma frota de mais de cem camiões e vários aviões (alugados), um consumidor em New York pode encomendar ás 09:30 uma caixa de cerejas Californianas (sem bicho) para a sobremesa do almoço de negócios ás 13:00. As marcas de FMCG devem assim investir na gestão do seu portfolio, principalmente em SEO (interno ao Amazon!), e nas novas formas de comunicação publicitária, como os anúncios nos resultados pesquisa no Alexa (sem Google?). Como sempre, trata-se de uma batalha para conquistar e defender o espaço no linear, agora alargada ao cenário de “guerra” digital.

Perguntas sobre o futuro do retail em Portugal

Para o Jumbo, o Continente, o Pingo Doce e o Intermarché, que estão a dar os primeiros passos no e-commerce e no Click&Drive, esta evolução do Amazon poderá, no futuro, representar a mesma ameaça que comprometeu o comércio local quando estas mega-empresas de retail foram lançados em Portugal.

Para preservar o seu valor junto dos consumidores, o comércio local reinventou-se e posicionou-se como especialista em produtos premium e numa relação de proximidade, uma identidade que as grandes cadeias de retalho não conseguem manter, devido à sua escala. Em resposta ao interesse dos consumidores pela alimentação mais saudável, a Sonae conclui as aquisições da Brio e da Go Natural, que são, aos olhos dos consumidores, marcas premium que estão a construir uma relação de proximidade…

Em Portugal, vamos fazer compras no Continente e no IKEA, por exemplo, através do Amazon.pt? Actualmente, o Amazon está a transformar-se rápidamente num portal de compras agregador, tutelando vários sectores do comércio nas plataformas online (e-commerce) e offline (lojas físicas), mas numa escala quase global (excepto na Ásia, onde o Alibaba é lider incontestado).

Mas também se está a converter num motor de pesquisa e a cumprir uma função outrora reservada ás redes sociais, onde os consumidores actuam como influenciadores. Efetivamente, os comentários dos seus clientes são afinal mais impactantes do que as opiniões dos consumidores. Os novos especialistas são assim os clientes, recriando talvez uma relação de proximidade entre o Amazon e os consumidores em geral.

Finalmente, a expansão da Mercadona para Portugal poderá alterar o equilíbrio de forças na penísula ibérica, ao enfrentar este gigante no cenário digital? Portugal foi escolhido por ser "um mercado próximo, de proximidade logística e que se enquadra no crescimento orgânico e natural da empresa" Apresenta-se no mercado com uma variedade de máxima qualidade ao preço mais económico possível, e na colaboração contínua com os fornecedores e com a sociedade, garante a empresa.